Tese de Doutorado

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Tese de doutorado – Resumo

Caboclos de Nazaré: Improvisação e Renovação no Maracatu de Baque Solto de Pernambuco

Palavras-chave: cultura popular, tradicionalismo, poesia improvisada, autenticidade e renascimento cultural, Nordeste do Brasil

Esta tese analisa o maracatu de baque solto de Pernambuco, uma forma expressiva musical e poética que se desenvolveu ao longo dos últimos cem anos, mas que apenas recentemente começou a receber atenção crítica. Baseada em três anos de pesquisa de campo etnográfica e histórica na cidade de Nazaré da Mata e imediações, de 2009 a 2012, a tese examina as diferentes interpretações de autenticidade e as relações dinâmicas entre noções de modernidade e tradição dentro do maracatu e uma crescente rede oficial de clientelismo cultural.

Ao explorar como o gênero expressivo do maracatu continua a se desenvolver, eu examino de que forma identidades culturais podem ser modificadas, calcificadas, ou transformadas ao longo do tempo em relação a mudanças socioeconômicas, projetos políticos, ou interação com outros grupos sociais.

 

Desde sua “descoberta” por artistas da elite, pesquisadores e instituições de fomento, a ênfase na identidade rural do maracatu e em sua origem nos canaviais da indústria açucareira tem mascarado seu subsequente desenvolvimento, orquestrado por gerações de praticantes, membros da classe trabalhadora, nas periferias urbanas desde o êxodo rural de meados do século XX. Eu investigo como os arcabouços institucionais criados pela pesquisa do folclore, juntamente com a produção intelectual da elite sobre a cultura popular, representam tentativas de restringir o maracatu a certos limites proscritos, em contraste com os diversos modos em que os maracatuzeiros se reapropriaram dos discursos da elite sobre cultura popular de maneiras estratégicas.

Meus argumentos constroem uma fundação para desenvolver a ideia de “coronelismo cultural”, como um modo de analisar o desenvolvimento do maracatu dentro das persistentes estruturas de clientelismo e dominação na região, e indagando como os maracatuzeiros têm confrontado essas limitações das mais variadas maneiras.

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Sumário
Introdução
Maracatu e Nazaré em contexto
Um resumo dos capítulos
Metodologia

Capítulo 1: Maracatu no Passado: um discurso civilizatório

Introdução
O êxodo rural e a formação da “Terra do Maracatu”
Urbanização, mobilidade limitada e a contração do espaço
O carnaval no tempo dos engenhos
“Sem briga, sem confusão”
O espectro da estagnação
Conclusão

Capítulo 2: As Instituições e Categorias da Cultura Popular

Introdução: o distanciamento dos primos, nação versus baque solto
Visibilidade e validação na pesquisa do folclore
Origens e autenticidade
A pureza de uma estirpe
A ‘Dança Dramática’ como modelo para a cultura popular
Padronização e mitificação
Padronização e regulamentação
Conclusão: do invisível ao cristalizado

Capítulo 3: A Sambada como o Pulso do Maracatu

Introdução
Sambada em Itaquitinga: Mestre Barachinha x Mestre Zé Flor

Chegada e Manobra
Os elementos dos ensaios e sambadas
Depois de beber

Sambada em Nazaré: Mestre Anderson x Mestre Sibia

Imagética de dominação e subordinação
Preparativos e improviso

Conclusão

Capítulo 4: Levantando Poeira na Cidade

Introdução
Maracatu no palco
O Nordeste como o refúgio da autenticidade
Ninguém é melhor do que ninguém: igualdade dentro e fora de seu território
Fora: Preservação vinda de baixo
Controlando o artesão
À mostra
Ideias para um novo roteiro
Conclusão

Capítulo 5: Falando Bonito no Campo

Introdução
O maracatu se refina: a influência da cantoria
Falar Bonito
Condutores de informação e autoridade moral
Alfabetização e a “Nova Safra”
Mau gosto e nutrição cultural
A mediação do Mangue
Conclusão

Capítulo 6: Todo Dia É Carnaval

Introdução: Carnaval de 2010 – A Estrela Sobe

Domingo de noite: Marco Zero
Domingo de manhã: A chegada
Segunda-feira: Se apresentando nos municípios
Terça-feira: O encontro e a avenida

Os espaços entre ciclos

A manutenção de um maracatu entre carnavais
Carnaval “multicultural” e a preservação das tradições

A Estrela Cai – Carnaval de 2011
Produtores, pontos e mediadores
O ciclo de 2011-2012: incerteza e divisão

Barachinha sai
Estrela Brilhante adentra uma nova era

Conclusão: Coronelismo Cultural e a Serena Resistência  da Canção

De dia: As tropas da cultura
De noite: Silenciando os ensaios e sambadas, 2011-2014
Bibliografia

 

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